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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Índia

Onde quer que esteja, hei-de ter sempre saudades. Não importa o onde ou o quando, mas, o meu estado natural é... com saudades. E se não é com saudades, é a ansiar por algo. É como ter saudades de uma coisa que ainda não aconteceu.

Mesmo quando tudo está em pleno, mesmo quando tudo está finalmente assente e construído como tem que ser, há sempre qualquer coisa que falta. Qualquer coisa que me tira daqui.
E por isso construo projectos, admiro as viagens de outras pessoas e vou aprendendo a direccionar as minhas ânsias.

Se há coisa que vou percebendo, é que não tenho certezas. Há uns anos era capaz de dizer exactamente como "ia acontecer" a minha vida, num prazo de 10 anos. Mas hoje, sei que a graça disto tudo é aventurar-me e ir vivendo cada dia. E isto não implica não ter projectos - pelo contrário: digo já onde quero passar um mês no Verão do próximo ano e por agora... vou vendo as coisas a acontecer.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Saltar

Dizem que devemos perseguir os nossos sonhos, as nossas perspectivas até ao fim. Mas até que ponto?
Hoje sinto que a cada dia que passa vou constuindo a visão do meu futuro-utópico ou, pelo menos, aquilo que fundamentará o que vou criar e desenvolver na minha vida. O meu "sonho" de há uns anos atrás em nada se pode comparar com o que hoje sonho para o futuro.
Sabem quando nos dão um tema para um trabalho de uma cadeira de que gostamos e a nossa imaginação começa a explodir ideias? Até que...nos dizem que é um trabalho de grupo. Quão difícil se pode tornar o dar um passo atrás para que o projecto possa ser feito igualmente por todas as partes. E tantas, tantas vezes gostei muito mais do resultado final do que aquele que tinha imaginado sozinha. 
A vida futura também pode ser perspectivada com horizontes que não são nossos. Ou pelo menos que não eram - até que foram sugeridos. E, aí, esse tempo e sítio para onde caminhamos podem ser tão mais "apetitosos" do que os nossos projectos anteriores.
A segurança que nos dá ter horizontes bem definidos, fixos e talvez não tão abrangentes, .... não é má. Mas é apenas isso... jogar pelo seguro. Mas saltar para o abismo de um mundo à nossa espera é tão mais assustador quanto entusiasmante. E, em tempos de crise, quantas vezes não é esse salto que nos acaba por salvar. 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Crash into me

Anestesiante.
Cada vez que oiço esta música, o mundo pára. Parece que fico cega, que os meus olhos deixam de funcionar e que, de repente, a minha percepção do mundo é aquela música. Só ela me faz perceber. E, ainda assim, voo para um espaço em que não consigo identificar caras nem momentos. São memórias sem legenda, são sentimentos que me lembro de sentir, mas não sei quando. Tento percorrer o meu friso cronológico dos acontecimentos e pessoas que de alguma maneira mexeram comigo, mas nada, não consigo responder-me. Desisto de perceber. Calo a minha insistência e deixo-me levar.  Nem oiço a letra, é só a melodia e a conjunção perfeita entre acordes e voz.
Fico ali - onde quer que esteja - a flutuar na música.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sem rodeios às amizades

Ao longo dos últimos anos fui tendo oportunidade de me cruzar com muitas pessoas totalmente diferentes entre si. A par da riqueza que me traz esta interacção com diferentes crenças e estilos de vida, não pude deixar de reparar numa constante relacionada com o tipos de relações que muitas escolhem como "ideais".
Hoje em dia, muita gente escolhe ter relações interpessoais em que há alguma intimidade mas nas quais não querem que exista uma dependência de nenhuma das partes. Quantas pessoas não ouvi já dizer que não conseguem estar numa relação em que o outro dependa delas, não conseguem estar com alguém que mande "mensagens a mais". Não estou a falar da independencia saudável que deve sempre existir; estou sim a falar daqueles casos em que se cria uma relação mais distanciada do que o normal. Qual é o limite? Qual é o "nível" de dependência procurado? Não sei. Já para não falar que cada caso é um caso. Mas onde quero chegar é o seguinte: parece-me que hoje as pessoas têm medo de se comprometerem a sério, medo de levar mais fundo as suas relações com as outras pessoas. São cada vez mais raras as amizades profundas e fundadas numa confiança verdadeira. Pergunto-me que amigos e amigas tenho eu que tenham "paciência" para ouvir os meus dramas quando preciso e , mais que isso: que perguntem por esses dramas, que perguntem por mim. Graças a Deus, sei bem quem são estas amizades e agradeço cada uma delas - Sou a última pessoa que se pode queixar de falta de possibilidades de conversas a sério.

Mas onde quero chegar é: gostava agarrar pelos ombros algumas pessoas - essas mais "desprendidas" nas relações - e dizer cara-a-cara: ACREDITA! Hoje instaurou-se um medo de entrega, um medo da possibilidade de sair mal de uma relação. Parece que a sociedade se transformou numa espécie de Ricardo  Reis:
«Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.»
Bem, newsflash: quem não arrisca não petisca. Bem sei o quão trabalhoso pode ser cuidar de uma relação (por favor, releiam O Principezinho!) mas, depois disso, oh... sabe TÃO bem telefonar a alguem e dizer: "Preciso de ti, tens tempo?" e contar tudo sem ter que explicar 50 histórias antes (para que o outro acompanhe), poder rir e chorar sem que alguem do outro lado esteja impaciente.
Mas vai para além disso. Tenho sentido, em conversas que vou tendo, que há cada vez mais pessoas que estão profundamente necessitadas de alguém que se preocupe a sério. E a preocupação vai para além do ouvir: muita gente precisa de alguém que saiba dar um empurrãozinho, um conselho, uma ajuda, qualquer coisa. Mas pelo caminho foram criando e desenvolvendo amizades com essa lacuna gigante - falta a atenção e precupação sinceras de que todos precisamos.

Sem me querer tornar melodramática, digo mesmo: hoje sou o que me fui tornando com os meus amigos. "Diz-me com quem andas, dir-te-hei quem és" e isso não tem a ver com o vestirmo-nos todos de góticos ou andarmos todos de bicicleta (exemplo parvo...). Não tem a ver com as crenças, hábitos, nacionalidades. É isso mesmo, já sabem o que vou dizer: tem a ver com aquele bocadinho de nós que entregamos a alguém. E a amizade é tanto maior quanto esse bocadinho.

No outro dia o JV repetia mais uma vez a frase de Saint-Exupéry: "Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo." E, ainda que isso seja verdade, meus amigos: NÃO CHEGA! Se chegam ao fim do dia com a sensação de que o que precisam é de alguém que vos compreenda, então não chega! Arrisco a dizer que hoje cada vez mais criamos protecções porque estamos a crescer em egoísmo: enchemo-nos de nós e temos medo de nos perder. E esse perder, para nós, é o mesmo que dar-nos aos outros. Neste tempo em que vivemos, deixamos cada vez menos de nós mesmos a quem passa por nós. Apendemos a guardar-nos do mundo e a criar esta camada protectora que muito, muito dificilmente mostramos. Talvez como protecção da perda de privacidade que os Facebook's e etc. nos trazem, certo. Mas assustei-me ao perceber que vivo rodeada de pessoas profundamente necessitadas de conversas a sério, profundas e sinceras. Fui para fora de Lisboa fazer Missões, mas desta vez percebo que a nossa missão é aqui, entre os nossos amigos. Aprofundar amizades, entregar-nos.

Sem me querer esticar mais, digo apenas:
Dedicação. Compromisso. Entrega.
Missão.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Claridade

O que é ser feliz?
Hoje em dia o mundo gira à volta de conceitos inventados como resposta a esta pergunta. Mas tantas e quase todas as vezes a solução é mais um poço de insatisfação que nos prende à infelicidade.
Até podemos ter tudo, mas porque é que é constante esta insatisfação crónica? Porque é que não nos sentimos bem mesmo quando tudo parece estar encaixado no sítio certo? Porque é que perdemos a vontade de fazer o que quer que seja quando parece existir razão motivadora?
Hoje os meus pensamentos levaram-me a, talvez, uns pequenos pózinhos do que será a resposta à felicidade. Sinto-me feliz, especialmente bem-disposta. A sucessão de acontecimentos, discussões e conversas redescobre uma confiança perdida. É essa confiança que me empurra para a frente, que me faz sorrir por fechar os olhos e confiar no futuro. Sussurra atrás dos ouvidos: "Tudo vai correr bem!". Onde pomos as nossas maiores convicções, os nossos maiores esforços, a nossa alma, aí sim: tem que estar presente a confiança. A fé de que há algo que será sempre seguro. E ainda que isso implique esforço, suor, sacrifício - bem sei: não mais pequena será a paz interior e um sentimento preenchedor que arrebata a alma. Torna-se tão claro, o nosso caminho. Não o destino, mas o caminho. 
Hoje aprendi mais uma vez que, se a palavra "Felicidade" se escreve com F maiúsculo, não é à toa. Acreditar, crer, confiar. E, assim sim: sorrir. 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Passo

Vou-me perdendo. Vou ficando sei saber onde ir; vejo-me sair sem chão.
O vaguear pela rua traz-me a casa sem pensar bem como. Os pensamentos cegam-me o caminho, deixo que os pés me levem pelas ruas que decorei.
Sem música, finalmente.
Percebi que a necessidade que vou tendo dela vem da tentativa de calar a minha cabeça. Sei o que me vai custar perceber e concretizar a razão. Mas desta vez obrigo-me a pensar nisso, a mentalizar-me do pior. Escava, dói, desfalece e... faz renascer.
Atravesso a rua com sinal vermelho. Não passam carros.
Faço-me forte, batalha interior que me leva a alguém diferente. A confusão de pensamentos que por fim não consigo calar faz explodir agressivamente palavras que quis conter. Por sorte encontro quem me ajude a levantar e que me diga que foi só um arranhão. Não percebi que guardavas de mim sentimentos tão contraditórios. Se pudesse mudava os anos que passaram para que te levassem onde não ficaste. Substituída, guardo sorrisos debaixo da almofada sabendo que o acumular me fará feliz. E sou-o.
Esta noite vagueio de luz desligada, deixo que os meus olhos fechados me levem até ti até me ver a dançar por cima do teu ombro. Assim, em silêncio. Tu, eu e a música.
Um dia hei-de perceber como foi que vim aqui parar.
Por agora, deixo que a música pense por mim.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"Think before speaking"

Demasiados passos em falso. Demasiados passos na direcção errada. Agora, tudo o que quero é reconstruir, refazer, garantir que existe um chão debaixo de mim. Concentração, consciencialização. Não, não me volto a deixar ter esses saltos impensados.
Pronto.
Forte, feita. Indestrutível. Daqui ninguém me tira.

E, outra vez, passo em falso.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

(durante uma aula)

Life is like a sketch: sometimes you just have to leave them and wait for the next day do to any changes. And sometimes, you shouldn't change anything at all.

1/3

Acredito e sei que existiu. A mudança, a marca não ficou indiferente, não se esconde tão fundo assim. Rapidamente posso descobrir o que suspeito, seguir pistas para encontrar a resposta mais difícil. O não-arrependimento leva-me mais longe, deixa-me perceber que não foi em vão. Se tenho o caminho programado por Alguém para tudo seguir mais realizado, é por aí que vou seguir. Uma entrega que, depois de tanto, se torna simples como a água que segue, no rio, o seu rumo até ao mar. No final, o reencontro, há-de se tornar um recomeço, um início que me leva onde não consigo prever. Fecho os olhos e agarro-me a 50. Sei que estas me vão conduzir onde me quero largar.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sem jeito (nenhum)

Perco-me tantas vezes nos mesmo pensamentos que às vezes me esqueço de sorrir com os que me acalmam a alma. Por mais valor que dê, nunca será o suficiente para quanto vale. Não gosto de frases clichés, mas a partir do momento em que cá dentro é tudo menos isso, não posso fugir da maneira mais simples de o dizer: obrigada pela presença sempre que precisei. Obrigada que, por mais que não o transmita por escrito, esta ligação vale mais do que tudo o que possa escrever. Obrigada por bastar o pelo tom de voz para se perceber ou por não importar quantas mensagens não escrevi. Por erros apontados e pela luz que guia. Pelo aconchego em dias de chuva, mesmo à distância. Obrigada por passar o tempo por nós, mas sem isto passar.
Agora dou tempo e espaço para agradecer, mesmo sabendo que nunca será suficiente.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Aprendi

É muito mais difícil para mim, exige muito mais, desistir do que juntar todas as minhas forças para conseguir manter alguma coisa.
Mas já não sei se é virtude,
... ou defeito.

domingo, 31 de outubro de 2010

Porque

Momentos esperados, pensados, previstos. E, no entanto, tão diferentes daquilo que imaginei. Explosão de sentimentos e reparo que um continua ali. Sentimento constante que nem num êxtase se separa de mim. Sempre que digo que gostava de me impedir dele e viver um pouco mais em tudo, descubro que é a ilusão que me quero causar, ou achava que queria. Apercebo-me de que a constante que não se separa de mim é sinal de mais do que pensei, é definição de quem me tornei. Não foi paralelo à falta, foi sentimento brotado da ausência. Não foi mas, foi porque. O que se tornou na minha âncora foi o centro sobre o qual todo o sistema girou.

domingo, 17 de outubro de 2010

Mergulho

É impressionante estas vidas que temos. É impressionante como tudo muda sem esperarmos. São impressionantes as voltas que dá a vida que levamos. Sem percebermos como, trocamos de situação com a pessoa que está a nossa frente. Há um mês estávamos em situações "trocadas". Páro para sentir o tempo a passar por mim, para deixar-me levar pela maré da vida a impedir-me de voltar atrás. A saudade que deixam os tempos para trás já não me torturam, mas arrancam-me nostalgia e agradecimento do que foi ímpeto. O que aprendi em tão pouco tempo vai levar-me mais longe, sabes? E a ti também. Hoje mudo o destinatário dos meus pensamentos. Passamos agora a ter o Mesmo. Tu e eu.
Sorrio de olhos molhados deixa-me adormecer enquanto respiro fundo, conformada, entregue. E por mais que às vezes não acredite nisso, sei que não tenho outra escolha senão deixar-me mergulhar. E volto a lembrar-me da razão do meu salto.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"Não escorregar: piso molhado"

Inquietação, insegurança, turbilhão que me invade as veias e não deixa reagir. Obrigo-me a levantar contra a inércia de te lembrar no céu, enquanto o baloiço ainda abana.
Só volto a respirar com ritmo certo quando me invadem os sorrisos que não conseguíamos conter nas Conchas. Pela janela do autocarro vejo as danças ao ouvido e oiço passeios ao miradouro. Se soubesses como ainda vive em mim cada vez que parava só para olhar, rezava só por sorrir, cantava só por amar… é o verde-acastanhado que me faz fluir a escrita. Não o vejo, não consigo escrever. Fecho os olhos com toda a força que tenho e tento imaginar, tento recordar. Mas nem os lápis de cor lhe fazem justiça e cresce o desespero de não me ter especializado na colonização.

Irritada, desesperada, insegura e inquieta, percebo que já não há teclado que me resista, que me faça frente e cuja batalha se transforme em algo minimamente aceitável. Não. A falta de vontade traduz-se numa ausência. Assim, fecho o baú dos pensamentos escritos até ter algo concreto. Se não consigo organizar a cabeça para fazer duas frases com sentido, o que preciso antes de tudo é montar armários cá dentro e esclarecer-me comigo mesma. Separar sentimentos, pôr em gavetas as coisas injustificáveis, limpar o pó da esperança.

Fecho para obras.
Preciso de me consertar.

sábado, 25 de setembro de 2010

Multidão

Multidão. Gente. A agitação faz-me encolher cada vez que por dentro grito pelo outro sítio onde queria estar. Agarro-me ao chão e sinto nos dedos a única segurança de caminhos por quem ali passou com menos saudade que eu. Durante muito mais que segundos, horas ou dias, desejo dolorosamente aquilo que me arrependo de ter deixado para trás.
Até que pedaços do que sou - não: tudo o que sou - me devolvem ao meu novo mundo e me asseguram de que também aqui posso encontrar felicidade.
Sem saberes, sorrio pela ingenuidade de não saberes que a verdadeira felicidade passa por onde andam os teus pés.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Num segundo

Hm... sim? Explica-te. Faz-me perceber. Estanho, estranhamente calado. Cansado? Som sono? Preguiça? Pensativo? Não gostaste das respostas? Com pressa? Preocupado? Incomodado? Tranquilo? Relaxado? Vazio? Feliz? Inseguro? Obcecado? Stressado? Alarmado? Entusiasmado? Natural? Queres dizer alguma coisa? De certeza?
Não, espera. Já percebi:
És homem.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Leap of faith

Sensação de segurança, não te preenche? E cada vez que parece que vou vacilar ao lado, basta um relance desta segurança para ver tudo noutra perspectiva. Nascer do sol constante cá dentro, parece que algo de grande está a começar. Apesar de 6 meses serem assustadores, não sei como é que consegues fazer parecer tão natural e tão positivo quando olhar para trás. É o salto de fé que preciso. Mais que precisar: impossível não acontecer. Mas o melhor desta segurança é não precisar de a escrever, não precisar de a deixar bem explícita em textos. Saber isso faz parte. Digo-te uma e outra vez apenas para me assegurar que percebes a maneira como me puxas para a frente. Para lá é o caminho, e assim quero ir.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Distância

Cá, lá. Aqui e ali. Cada um em sua parte, em toda a parte, em parte nenhuma. Parece que o que havia se vai esquecendo, ofuscando. Parece que o que era já não é, porque a distância não é pequena o suficiente. Antes, até podiam existir menos palavras e quase o mesmo - pouco - contacto físico. Mas a partir do momento em que a distância se sabe real, muda tudo e tudo muda. Apertamos com força a mão contra os olhos com esperança de que os nossos pés, pelo menos, sintam alguém à frente. Queremos ver, tocar, sentir e cheirar. De olhos fechados, vamo-nos lembrando de como era enquanto perto. Sorriso. E sonhamos. E quando tudo parece tão real, espreitamos por entre os dedos e...
não está lá.
Até a memória desapareceu.
Porque é que tudo muda com a distância? Porque é que faz bem durante poucos dias e faz mal durante dias de mais? Quando sabemos que estamos a passar a fronteira entre o suficientemente bom e o demais?
Às vezes as grandes distâncias trazem-nos mais perto, unem-nos, fortalecem-nos. Mas outras, quando demasiado conscientes disto, quebram. Estragam, rasgam. E não deixam senão saudade e desejo de voltar atrás. Vontade de abrir a porta e correr até onde nunca fomos, atrás do que queremos ser. Mas nem sempre queremos, de facto sê-lo. É a curiosidade de saber o que não aconteceu, saber o que teria sido. E se soubéssemos, de pudéssemos saber, .... tudo seria diferente.
E, de olhos destapados, apercebemo-nos de que temos à frente o que é. O que realmente é. O que não é imaginado mas real, o que temos e ... queremos gostar. O que temos é resultado do que aconteceu, das distâncias maiores e menores sucessivas que se foram criando. O que somos é o que vivemos, é o que percorremos. É o que deixámos e vamos deixando ir.
Deixamos cair a mão solta e ...
... que coisa natural,
a distância.

quinta-feira, 25 de março de 2010

para ti?

Oh, vá la.
Pára com isso.
Não gozes comigo porque reparo em pormenores, em "inutilidades", porque aprecio coisas banais. E quem te disse a ti que o que escrevi é sobre ti? Provavelmente não é. Escrever é respirar, e por isso, não é algo que controle forçosamente. Acontece. Se pensares que é sobre ti, que te achei especial, esquece. Não é. Mas se um dia me perguntares, pode ser que te confirme. Ou não. Simplesmente não aches que eu sou o pássaro na mão. Ainda. Primeiro tens que me mostrar as migalhas de pão para que, devagarinho, me aproxime.
Fizeste-o no outro dia, mas ontem fechaste a mão e assustaste-me.
Vais ter que começar de novo.
E agora, será que estava a escrever para ti?
Se calhar, nem eu sei.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Still wondering

Continuo a perguntar-me se é possível. Somos feitos de expectativas. Às vezes acreditamos que a perfeição existe, que as peças encaixam todas e nenhuma sobra. Mas noutras não sabemos bem no que acreditar. Ou pelo menos queremos acreditar que sim, é possível!, mas caímos na real a percebemos que não é. Vá, admitamos, essas imagens idílicas são impossíveis de concretizar. São padrões ridiculamente altos, inalcançáveis. Conformados, seguimos em frente. Descobrimos que a beleza está nos defeitos. Percebemos que somos diferentes uns dos outros pelos defeitos e que é isso que nos torna únicos, irrepetíveis. Encontrar a singularidade de alguma coisa, aquilo que a torna especial. Gostar dela pelos seus defeitos.
Até que...
...alguém aparece e deita tudo por terra.
Afinal a perfeição existe.