segunda-feira, 22 de março de 2010

15h15

Não gosto de ter que cortar asas ao escrever só porque não sei quem vai ler isto. Às vezes gostava de poder escrever a fundo, abrir-me bem à escrita e deixar-me levar. Mas não posso. Ou, pelo menos, não quero. O que queria escrever destrói por completo os meus segredos, a magia que me faz vaguear pelas ruas e a... própria vontade de escrever. É aquela sensação de que tudo só é especial enquanto estiver cá dentro. Porque quando passa para a escrita, perde metade do seu encanto. O que é especial não se deixa escrever, parece que quer ficado agarrado à sua própria memória, no egoísmo de pertencer a uma pessoa só. Que raiva, querer partilhar sem o poder fazer. A beleza por ser tão subjectiva encontrou a sua definição nessa palavra "beleza" que não pode ser representada igualmente por duas pessoas, nem numa fotografia. Ainda assim, há fotografias que conseguem deixar um grande público de boca aberta, ou, pelo menos, a partilhar de um mesmo sentimento. Esta não a tirei eu, mas consigo sentir-me como me senti lá hoje. Gostava de partilhar, mão prefiro não destruir as memórias de uma tarde ao lado do rio Tejo. Reflexo do Céu, honestidade e vontade de fluir, foi o que vi no rio. Tal como o que vi quando olhei para o lado.
Não acabes, Tarde, nunca acabes: quero a tua inspiração.

5 comentários:

Mariana disse...

cacao, primeira vez que te comento :)
já tenho pensado sobre o que escreveste. ainda ontem o fiz! estive a conversar sobre devermos ou não mostrar como somos, falar sobre o que somos. escrever sobre o que sentimos é mais fundo que aquilo que fazemos. e tudo o que é radical pode assustar. mas sinto que, quando contrario essa lei recebo coisas muito importantes. dar um pouco desse espaço fundo, que é combustão para a escrita, claro, e para os sotãos do que sentimos, pode ser bom também ;)gostei muito do texto!
um beijo, Mariana

Mariana disse...

:)e estou à espera do nosso almocinho!

Suzana Medeiros disse...

Isso traduz um sentimento meu também.
Muitas vezes sou subjetiva ao escrever. Meus títulos muitas vezes são: "Para ninguém entender". Há coisas que são bonitas... guardadas cá, em nós.

Adorei o blog! :*

Cacao disse...

Mary e Suzana, obrigada :) Gosto de saber que há quem leia e goste destes devaneios.
Mariana, cafe amanhã?
Suzana, tambem ja fui espreitar o teu blog!

Manalena disse...

eu deixei um comentário mas noutro lado: na parede do teu quarto!
ah pois é... eu sabia que se passava alguma coisa......... ora hás-de me dizer se o meu palpite está errado! ihih