domingo, 4 de janeiro de 2009

SOS: Same Old Story

(estou sem net, escrevi este texto qdo me sentei à secretaria p estudar, dia 1 de Janeiro de 2009. Entretanto consegui dar um pulinho à net da M e aproveitei p o transcrever)

Costuma ser ao contrário.
Mas desta vez é o olhar concreto e a consciência vaga.
Se pulo entre os temas e lugares comuns que tenho pensado, desta vez encontro-me algures entre eles todos, vendo cada um a evoluir por si só.

Há dias em que me vejo como um hipopótamo, a saltar de nenúfar em nenúfar, fazendo apenas estragos nesses "temas" por onde salto, nessas "coisas" que me roubam horas de estudo. Mas essas são as vezes em que me rio porque não consigo separar o hipopótamos do "tutu" cor-de-rosa e sapatilhas de bailarina, como quem se acha muito gracioso e suave, com pézinhos delicados. E caio na real: não tenho pézinhos de princesa, mas isso já é mal de família (que o diga a J!).

Anyway, já estou noutro "nenúfar".
Outras vezes, esta palavra, "nenúfar", dá-me vómitos do piroso que traz consigo e, então,....
... vejo a consciência em vácuo, como que pedras flutuantes, os pensamentos que trago.

E da infinidade de maneiras pirosas como imagino o que penso,
hoje,
não é nada disso.

Hoje,
folha de papel branca.

Agora, no cabeçalho, 1 de Janeiro de 2009.
Branco, o resto. Limpo.
Mas com as marcas da caneta que escreveu com força na folha antes, e um pequeno borrão de tinta do tempo demasiado que perdi (terei perdido mesmo esse tempo?) a fitar alguns assuntos, percebo:
afinal não é folha solta, é um caderno.

A vida é um caderno.
Que frase sonante.... e tão cliché!
Mas, no fundo, pode ser comparado. E, como eu gosto de paralelismos, quando o caderno acaba, já se sabe. Até podemos arrancar páginas. Mas, se o fizermos, ou mais à frente ou mais atrás, outra folha ficará solta, porque a que arrancámos era o seu suporte, a sua correspondente, a sua metade.

Apetece-me escrever talvez para fugir ao estudo, talvez porque não o tenho feito, ou talvez porque a caneta é maravilhosa.
Mas apetece-me. E assim o faço.

Tenho visto coisas que escrevi, outros blogues que dizem que os autores "escrevem tão bem", mas não tenho ficado impressionada. Pode ser tudo muito "bonito", mas é
mais do mesmo.
Fundos pretos, letras claras, títulos abstractos.
Poemas, textos líricos e palavras-chave sobre o amor e o vazio.
Vazio, tudo vazio.
Ainda estou à procura daquele blog que não tenha somente frases tiradas das aulas de filosofia (já reconheci num ou dois as ditas e só posso sorrir, tb já fiz o mesmo) ou de sonetos de Fernando Pessoa ou dos velhinhos sentados de mão dada no banco do jardim. Talvez impossível. Mas, irónicamente, gosto imenso de ler esses blogs porque são peças daquilo que chamamos humanidade, desejo e necessidade de partilhar.
Somos mais parecidos uns com os outros do que aquilo que pensamos. Aliás, aquilo a que chamamos de "cliché" é fruto de uma unanimidade inata entre todos. Até a atitude depreciativa sobre os clichés é cliché em si. É.
No fundo, as emoções são clichés.
Gosto de clichés. Saber que andamos todos de um lado para outro sem parar, que nos perdemos e encontramos pelo caminho, que nos apaixonamos, que suspiramos, que sonhamos alto, que nutrimos uma admiração por alguém, que nos magoamos cá dentro, que temos que estudar, que gostamos de ser originais, que achamos uma estupidez às "fashion victims", que temos fé (escondida ou não), que a música nos preenche, que a amizade nos segura, que somos agarrados à vida e que às vezes achamos que não.
Gosto de saber que não sou a única que sei disto.
Há dias em que acordo a sorrir, tardes que passo a cantar e noites em que choro. Há tempo para tudo, até para sentir e acreditar, muitas vezes não querendo, que esses estados não são para sempre. E não é novidade que não são. Há dias em que achamos que temos jeito para tudo e dias que sabemos que não o temos é para nada.
Há dias em que apetece bater em alguém (e muitas vezes sabemos em quem...) e outros em que só precisamos de um abraço (aí sabemos bem de quem! [FREE HUGS, here!] ).
Há dias que sim.
Há dias que não.
Há dias mais ou menos.
e há dias que simplesmente são dias.
O que é impressionante é que dias.... há sempre.
Nunca não há dias.
Nem nunca há dias clichés.
Todos os dias são diferentes apesar de o trabalho muitas vezes o tornar tão monótono. E é por isso que escrevo, para trocar as voltar à monotonia, para perceber que não há 2 dias iguais.
E por isso, aconselho vivamente:
Escrevam.
Porque querem, porque não querem, porque sentem que precisam, porque querem dar o Grito do Ipiranga, poque alguém vos enerva, porque querem crescer, porque querem dar a conhecer, porque querem explicar a felicidade, porque querem fugir, porque querem que alguém vos oiça até ao fim.
Escrevam porque sim e porque não.
Peço-vos: escrevam.
Acima de tudo, para vocês.

E, um dia, todos teremos o nosso "texto encantado" que responda às perguntas, levante outras, confirme o que sabemos e o que não queremos saber.

Hoje esperei aquele telefonema, aquela mensagem, aquela visita, estudar tudo (nem comento...), não esperava escrever e esperei aquele sorriso.
Hoje esperei muitas outras coisas que nem me lembro, mas esperei. E a que mais queria, tive. "Quem espera, sempre alcança", verdade?
E tive, porque, cá dentro, pedi. "Pedi e ser-vos-há dado".

Escrevam,
esperem,
peçam,
acreditem,
e Sejam.

Porque, no fundo,

o poeta é um fingidor.

8 comentários:

(n)Ana disse...

ufa...!
Gostei muito de ler. Revejo-me em algumas coisas e isso, apesar da chichezada, é sempre bom!
Bom ano para ti, Cacao.
É este ano que te convido para um cházinho num qualquer final de tarde. ;o)
Beijinho

(n)Ana disse...

Clichézada! era Clichézada... ponho-me para aqui a inventar palavras parvas e nem inventar consigo... sniff!
Lá calhei hoje num daqueles dias em que SEI que tenho pouco jeito para inventar palavras :op

Tomás CB disse...

hahaha...que genious!!! Ta mesmo mt mt bom!!!

SOS - Same Old Story!!! Opa quem mais iria lembrar-se deste titulo fantastico e de seguida escrever aquilo tudo?!?!?!Ninguem!!!! QUE ESPETACULO

NS colocou-nos na mesma equipa(felizmente)...ja aprendi mt ctg...mas...uma coisa que tenho que aprender é: como ter tanta tanta tanta capacidade de inventar coisas fantasticas!!!

grande beijinho, Tomás

Hugo Moreira disse...

Gostei do post! Muito original...

Grande beijo

Cacao disse...

Eishhh,
que rapidez!
por partes:

Nana, se a palavra cliché dá muito que falar, imagina clichezada! Até tenho q parar p pensar antes de a escrever. lool.

Tomás, que exageeeeeero! e digo-te: "inventar" é fácil: dois dedos de inspiração, um respirar fundo, ginástica de dedos, vontade e já está! Com tudo o que tens contado, sei que tens muito por onde escrever. Sugestão: recria o blog q tinhas e começa de novo esse mundo de anedotas; cria OUTRO blog, teu, e vai escrevendo o que te apetecer. sabe mesmo bem!

Hugo: um comentário desses vindo de ti, estou impressionada comigo, ahahah


Aos 3: sinceramente nao acho este post nada de especial, a serio! há outros atras q qdo acabei de escrever fiqei mesmo orgulhosa. este nao foi o caso, de todo. talvez tenham reagido assim (e agradeço MESMO) por ser o tamanho e faço uma vénia a quem o leu na íntegra (nem eu sei s o conseguiria ler... ahah). Mas lá está: nao acho que esteja grande coisa. Acho que até gosto mais do "gosto MUITO de" que já escrevi há mais de um ano...Nana, já li teus MUITO melhores...
enfim:)

Beijinhos aos 3

Pedro de Arimateia disse...

deixo apenas o meu sorriso e a certeza de que deveria haver uma gravação de post, contigo a ler :) impressionante

bj

Susana Pereira disse...

Muito bem pensado pelo Pedro. Seria TÃO giro ouvir-te a leres este texto :)

ah, e outra coisa, acho que não é uma questão de estar MUITO giro ou não, acho que o texto vale por ser um desabafo tão verdadeiro que parece que estás mesmo aqui ao nosso lado a dizer o que sentes. Por isso, o teu texto vale pela sua veracidade e pela forma como nós nos revemos nele.

e, já agora, digo-te que é fácil ler o texto até ao fim. sabes porquê? porque queremos OUVIR-TE até ao fim! porque estaremos aqui para ouvir o teu desabafo. e para além disso, como nós nos vamos revendo nele, acaba sempre por puxar mais uma linha e mais uma e mais uma, e no final: texto lido e sorriso na cara a pensar - CACAO somos tão parecidas! loool

ai ai :P

Beijinho,
susana

PS: já sabes que eu gosto sempre de te ouvir até ao fim, sim? :D

Cacao disse...

(susy, btw, adoreiii o teu comentário)